sábado, 5 de janeiro de 2008

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Agora não irei fugir.
Não mesmo.Eu quero lutar como nunca lutei antes.
Última luta: 3 rounds, adversário com handicap foda e só ganho no nocaute; nada de pontos pois o cara é bom e leva fácil essa com os juízes.
E eu tenho que ganhar, gente perigosa tá apostando.Como Bruce Willis, eu fico naquele vestiário pensando em tudo isso...
Talvez essa passe (não na HBO), mas no canal comunitário ou num youtube da vida ;mas eu tenho tudo na minha cabeça e nos meus cadernos que escrevo.
Lutinha em Osasco.Ah, não importa onde seja, né?!Osasco ainda é cool.
Um soco passando a guarda acertando em cheio o lado esquerdo do crânio do maldito e nenhum som, sabe aqueles filmes que usam aquele recurso batido de tirar o áudio?Mas nesse, nesse não tem nem platéia (um recurso que só Sam Raimi usou em filme, some a platéia), porque cada luta é uma solidão só e você sabe que torcem por ti em algum lugar, nem que seja em Osasco.
Um soco quebrando as sinapses, um soco causando dormência, um soco gentil que traga paz, um soco violento arrebentando o supercílio esquerdo jorrando esguichos de sangue em slow-motion como De Niro/Jake La Motta dava em cheio numa maravilhosa fotografia em branco e preto.Seria lindo.
Pensei que esse seria o último post: já tava tudo planejado, esse seria o dia que esse blog morreria e cá estou aqui escrevendo mais merda nele.Eu diria adeus ,mas ...
Frases sendo completadas, lembra?!
Complete a frase em qualquer hora da sua vida...
E eu estarei lá.
Cause don´t you know...


" I wasn´t born to follow"

When I grow up, gonna be a star
Gonna sing my songs and play my guitar, I’m ready
Gonna change the world, gonna turn the page
Gonna say what I feel, let out this rage, get ready
We’re going down, down to the streets below

Gonna sing the songs of the streets again
Gonna knock me off my feet, so get ready
I’ll sing a song for the fallen angels
This one goes to all the unsung heroes

Chorus:
We’re going down, down to the streets below
Cause don’t you know, I wasn’t born to follow

I realize that in your eyes you got ideas
But I got mine, get ready
Here comes the new generation
Hope they feel and fight the same way as we did

Chorus:
We’re going down, down to the streets below
Cause I wasn’t born, I wasn’t born to follow noo

When I grow up, gonna be a star
Gonna sing my songs and play my guitar, I’m ready
Gonna change the world, gonna turn the page
Gonna say what I feel, let out this rage, get ready
We’re going down, down to the streets below
Cause don’t you know, I wasn’t born to follow
We’re going down, down to the streets below
Cause don’t you know, I wasn’t born to follow

We’re going down, down, down, down
We’re going down, down, down
I said goodbye to the masses, I wasn’t born to follow

MIKE NESS

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

feliz natal,mr lawrence!(um exercício bobo de metalinguagem)


O maior presente de natal de Belmont foi a sua liberdade temporária.
Para um homem que despreza tal data, ele até que foi poupado de uma forma poética de tais constrangimentos e acabou ganhando sua carta de alforria num processo mais moral do que em favor de sua própria redenção e evolução pessoal.
Não pensem que ele pulou de alegrias na ocasião: numa hora quando chegava em casa após os primeiros minutos de sua suposta liberdade, levantou os braços e passou a mão nas folhas úmidas que ainda carregavam gotas de água de uma chuva triste e rápida de Gotham; como desejou que chovesse e isso não aconteceu, fez como os índios e bebeu das folhas e lavou o rosto.
Ele queria morrer como Willem Daffoe em "Platoon" com os braços para o céu vermelho e laranja tingido de napalm.
Ele queria beijar Apolonia antes daqueles braços alvos voarem para o céu numa curva sinuosa.
Mas nada disso aconteceu, amigo: ele, como David Bowie, ficou a maior parte do tempo com a cabeça enterrada na areia e quando a guerra acabou os seus torturadores lhe desejaram um "Feliz Natal".
E ele, confuso, não retrucou nada.
Se lembrou do passado e da rua alta que subia no caminho da escola só para ver o seu primeiro amor virar e olhar para algo que ele julgava ser a sua imagem.Pouco depois teve a chance de perguntar e ela lhe disse:
-É que cansa, eu paro pra respirar e olho em volta...
Não, não era para o jovem Belmont que ela olhava.Era o cansaço que produzia esse efeito nela e Belmont sorriu e pensou consigo bebendo a água limpa das folhas.
"estou cansado"
E no Natal pensou e descansou.E não porque era natal e sim porque um homem merece um dia de descanso e ele havia esquecido como era essa sensação.
Bebeu tantas cervejas sentado na garagem que seus olhos se perdiam em meio às humildes luzinhas que sua mãe comprara.Iluminavam a casa de um jeito desajeitado.A mãe dizia que o natal não era mais o mesmo e Belmont pensou num poema de Manuel Bandeira que sua linda professora de Literatura recitou na aula; e ele adorava Bandeira.
Pensou no mundo vasto, vasto mundo: talvez faria uma tattoo do Drummond na perna, daquela caricatura famosa do velho mineiro de Itabira.Encheria a perna de poetas.
E pensou coisas que não deveria pensar, mas sempre se pegava pensando.Deu de ombros como que dizendo para si mesmo "foda-se , não dá pra esquecer..." e lhe fazia bem pensar daquele jeito naquela coisa.Era humano.
O tempo passava de um jeito estranho para ele.
Ele se ocupava nas filas dos bancos arquitetando planos para um assalto perfeito: olhava as câmeras discretamente, ângulos e as posições dos guardas.Era um exercício para passar o tempo e pensava que era melhor do que perguntar a alguém da fila "se iria chover esta tarde".Teria se dado bem no mundo do crime e se contentava em pensar em histórias de crimes e em Bonnie & Clyde.
E as luzes se apagaram.
Ele não era livre .
Mas devo contar um segredo aos senhores: esboçou um sorriso torto à sua maneira pensando que estava despedido.
Desempregado.
Não sabíamos se a guerra continuava lá fora, só conhecíamos a prisão nos últimos meses.
Conversamos muito naquele tempo e jamais esquecerei aquele dia:
naquela terra, com o corpo enfiado inteiro na areia como tantas vezes esteve e aquele boné vermelho dos Yankees que não se separava da sua cabeça, eu o avistei.
disse a ele:
-belmont?sorrindo??
Ele disse:
-merry christmas, mr lawrence!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

foi nisso tudo que eu pensei enquanto enfiava a colher em você.

Engraçado...
Como daqui de noite desse ângulo a ponte do rio Tietê parece coisa de ficção científica: uma rampa alta que faz uma curva pra direita, outra embaixo do outro lado oposto, uns contrastes alaranjados sobre as luzes de postes que projetam amarelados disformes sobre os trabalhadores que aparecem como sombras rápidas da madrugada desse lado do rio.Coisa de "Metropolis ".
Eu pensei nisso lá naquela mesinha, com o bicho na minha cara, de frente pra essa aberração hipnótica...
As madrugadas do Butantã em que se atravessa a ponte sozinho são noites dignas de serem memoráveis: a lua no céu escuro de Gotham, aquele pântano escuro lá embaixo em que você olha e dá até para ver e ouvir as bolhinhas tóxicas estourando e a solidão que não te machuca.Você, sozinho lá o máximo que pode te acontecer é trombar um bando de malucos que sonharam com uma noite "horrorshow" bem laranja mecânica: não, não se corre pra trás, pra frente, nem a leste por que o pântano te espreita e a oeste os carros passam rápido com os ossos de cachorro ornamentados em seus párachoques vindo da Raposo.Ah, mas nem tenha medo.Nem pega nada se eles não sentirem cheiro de sangue.
Porque vale a pena passar pela ponte e ver a garota bêbada pixando uma frase apaixonada num muro da Corifeu e pisando na latinha de spray com raiva, linda, pouco se fudendo com enquadro.Ela escreveu que amava um cara."Que sorte esse cara tem", pensei.
Atravessar a ponte e lá em Pinheiros ir no Pão de Açúcar comprar Itaipava a 90 cents e encontrar uns irmãos que te ajudam nas moedas.
Existem coisas na noite que não se veem em altas velocidades, porque as coisas são mais rápidas ali em baixo, tem que estar no concreto, no limiar entre os mundos que a ponte separa e une.E existem tantas pontes entre as cidades, mas nenhuma é tão estranha como a do Tietê: é a nossa Stonehenge feia, suja e vergonhosa em que é o único monumento no mundo em que se pode cuspir catarro misturado com vinho; na verdade você é convidado a cuspir (deveria ter uma placa:cuspa nesse rio) e ver aquele som ir diminuindo e tentar enxergar onde foi parar.Mas nunca se escuta.E você pensa na vida acelerando os passos.
E eu cansado, consegui fazer a travessia sozinho mais uma vez e caralho, que satisfação dá na gente!E me lembrei, me lembrei da tendinha que sempre passava e nunca parava.Lá mesmo é que eu vou.Esse seria meu prêmio: tem que se comer às vezes, Belmont.
"Dogão do Carioca da Usp".Frango, sei lá quantas salsichas, provolone, queijo, molho-não-sei-o-que, batata palha, sei lá, vai:polenta, cuscuz, feijoada, uma caralhada de coisas.
Uma colher em cima.Se come o Dogão com uma colher e eu devia saber que detalhes como esses não são meros "enfeites", por que na verdade não dá para comer ele com as mãos, (pelo menos não com aquelas que os seus pais te deram), tem que ser com a colher mesmo .Eu digo isso porque eu tentei na forma "tradicional".
Caralho q ue monstro gorduroso, calórico, pesado e...Ducaralho de bom!
Não é delicioso, pra falar a verdade nem é bom, mas mata a fome e vai te diminuir um pouco a ressaca com uns goles d´água amanhã quando você estiver no trabalho pensando na morte da bezerra.
E eu ali olhando e ...
Bem...
Foi nisso tudo que eu pensava segurando o Dogão nas minhas mãos.
Quer dizer...
Com a colher.

domingo, 16 de dezembro de 2007

quando perderes o gosto humilde da tristeza



Quando perderes a gosto humilde da tristeza,
Quando nas horas melancólicas do dia,
Não ouvires mais os lábios da sombra
Murmurarem ao teu ouvido
As palavras de voluptuosa beleza
Ou de casta sabedoria;

Quando a tua tristeza não for mais que amargura,
Quando perderes todo estímulo e toda crença,
- A fé no bem e na virtude,
A confiança nos teus amigos e na tua amante,
Quando o próprio dia se te mudar em noite escura
De desconsolação e malquerença;

Quando, na agonia de tudo o que passa
Ante os olhos imóveis do infinito,
Na dor de ver murcharem as rosas,
E como as rosas tudo o que é belo e frágil,
Não sentires em teu ânimo aflito
Crescer a ânsia de vida como uma divina graça:

Quando tiveres inveja, quando o ciúme
Cristar os últimos lírios de tua alma desvirginada;
Quando em teus olhos áridos
Estancarem-se as fontes das suaves lágrimas
Em que se amorteceu o pecaminoso lume
De tua inquieta mocidade:

Então sorri pela última vez, tristemente,
A tudo o que outrora
Amaste. Sorri tristemente...
Sorri mansamente...em um sorriso pálido...pálido
Como o beijo religioso que puseste
Na fronte morta de tua mãe...Sobre a tua fronte morta...

Manuel Bandeira

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

informe:nova classificação

De acordo com o "TAZ-dicionário de bolso" do dipersona** esse blog foi classificado da seguinte forma:
"angus-belmont: veio de nao sei onde, faz nao sei o que, e escreve pra ninguem; acha que filme é historia em quadrinhos e vice-versa."

amém!!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

era uma vez aquele blog, que por sua vez era mais um no mundo

Quem disse que seria desse jeito, amigo?
O que me importa agora nesse momento em que a minha mesa tá cheia de papelada e eu não encontro o que procuro?
Eu estou esperando o grand finale e é lógico que ele teria que ser dramático, não é mesmo?Uma contagem na lona, um soco bem dado: não será permitido o descanso e pode se sentir culpado por assistir Bleach essa noite.
Um calor amaldiçoado ensopa a minha camisa.
Quem foi o maldito escritor da Bíblia que associou o inferno ao calor?Pois é, o cara tava certo!Talvez existam coisas verdadeiras na Bíblia, Belmont!Viu?!Você até escreveu com letra maiúscula, né?!
Em toda Gotham mosquitos não nos deixam dormir, mas eu não ofereço resistência visto que essa noite amaldiçoada será eterna e daqui a pouco eu levanto que nem vampiro sem caixão e não foi nem mesmo uma porra de um pesadelo, pois quando se tem um você está dormindo.E eu não durmo, eu estou escrevendo, eu estou colocando uma porra de um pensamento patético numa tela em que todos supostamente podem acessar num endereço idiota chamado Angus Lost.Melhor correr, cachorrinho azul...
Mais um blog no mundo e ele se chama Angus Lost: dá pra achar fácil no google (mais ainda).
Um material inflamável na minha cabeça queima essas teclas como aquela noite e a certeza de que as coisas podem mudar são as mesmas daquela noite de força do parto e amor sincero, mas é um pressentimento muito enganador, eu creio.Disse uma vez para alguém que me perguntou por que eu era tão assim:
-Se você parar pra pensar, vai ver que às vezes faz sentido.
-Âhn!??
-É simples: se tem alguma coisa que você acha que pode dar merda e realmente dar merda no fim, não tem muito o que se fazer: a não ser sofrer como homem e colocar a viola no saco e você ainda tem o benefício de estar se treinando para a bosta que voar do ventilador e sentir o gosto do que te torturava; agora, se não der merda, será a melhor vitória porque você não esperava e será o oposto do que você esperava e você não sabe o gosto disso.
Ah, quem lê esse maldito blog se lembra do meu conceito de superfilosofia: ó mais um exemplo, aí!!Que pretensão evocar os leitores!Mas eu entendo que se escrevo isso aqui é porque se coloca a cara a tapa e às vezes queremos mostrar as marcas dos dedos e as cicatrizes na fuça.Eu é que não escrevo sobre flores num campo florido, eu quero a Rosa do Drummond nascendo no concreto, rachando o mundo no meio desse pântano que a gente vive.Eu quero tocar essa rosa um dia contigo e que ela viva para sempre e ela há de viver a gente sabe, né Baby?!Forever!!
Mais um blog no mundo, cara.E esse é um dos mais duvidosos: às vezes psicodélico, outras enfadonho com críticas de cinema, sci-fi erótico, poemas doentios e contos de paixão; bebuns e armas com seus matadores; eu já falei que não me importa, eu só gosto de escrever, falô?!
Ora, mas eu quero dizer que apesar de ainda não ter achado o maldito papel que tava aqui na mesa ontem, ainda tenho vontade de escrever besteiras nos campos verdejantes e realmente quero que se foda se estou na repescagem porque de moleza eu estou farto, meu chapa.Isso prova que eu realmente nasci para dar ou tomar muita porrada.E eu tô na vontade de dar, certo?Por mim, beleza!?Sò por mim dessa vez.Por tudo.Com um gole de vodka e o "lirismo dos bêbados".
Um grand finale.Dramático como você, Belmont.Luta que não acaba mais.
Eu sou Butch Cassidy e Sundance kid tomando bala com um sorriso.
Eu sou Takeshi Kitano deixando o dinheiro no balcão e sabendo que as balas virão.
E nem é pra tanto, por que se eu comecei eu vou até o fim, Chinaski.
Quem sabe um dia a gente não toma uns tragos, Chinaski.Eu até citei a bíblia hoje.
-É, mas agora você escreveu com letra minúscula!
É, eu sei.
E eu me orgulho disso: de saber apertar o Caps Lock na hora certa, na hora que se deve evidenciar o que se importa.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

cântico negro


Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide!
Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

golpe do baú

desisto, desisto...
essas palavras e números que necessito,
não me criam o interesse ou apelam para a minha fome
mas necessito delas.
tem horas que me canso de ser robô:
estenógrafo de coisas que ouço, mas não entendo.

vou dormir,
comer dois cheetos,
darei tiros em placas de trânsito.
eis meu nome na lista e duas situações:
estarei pelos campos verdejantes a escrever idiotices em praças?
estarei a olhar pelo vidro enorme como cachorro triste,
esperando destinatários,
vestido de vermelho,
vendo os carros passarem?

falta-me pouco,
desista,
desista de ouvir sons que não fazem barulho,
desista de ser idiota e abrace os números,
um impasse, encruzilhada.
grande bosta ser alguém na vida;
só queria seguir a estrada e ver o que tem atrás das placas,
números e letras eu odeio vocês e digo que me importo no orkut...
serei um canalha completo nesse romance.

fingirei que tenho amor
que fico de pau duro
mas depois os descartarei quando meu nome estiver lá.
escolherei minhas próprias letrinhas
números,
nas sopas dos trapalhões;
tocarei minha viola na estrada sorrindo como o capeta,
largarei vocês na estrada da decepção
ouvindo bruno e marrone na sua mais vulgar banalização do amor,
sofrerão
malditas letras e números que não escolhi.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

rolem os dados enquanto a cidade dorme .

Era a mesma coisa todos os dias de manhã: quando estava em frente ao portão de casa após fechá-lo com cuidado e (devido ao TOC) bater no portão e certificar umas dez vezes que ele estava fechado, eu escolhia a mesma música no mp3 operando essa máquininha que eu adoro com apenas dois dedos e indo para a pasta do Dropkick Murphys.Escolhendo a música sobre Micky.
"Alguma coisa de boxeador tinha que existir na minha alma", deveria me espelhar em Micky-eu pensava descendo a Raposo engolindo fumaça preta dos caminhões e correndo para não perder a primeira aula: aquilo foi uma luta diária e mesmo sabendo que eu poderia tomar um gancho e não acordar nunca mais pra estar no ring, eu ingênuamente confiava no meu boxe amador das ruas de Gotham e achava que mesmo sendo um veterano como outro velho irlandês chamado Jim Braddock, tinha um último truque a mostrar no ring.
Nada demais: se você vai, vai até o fim, maluco e aguente o tranco.
Don´t even start.
"A única coisa que você pode concluir sobre um velho é que ele é um sobrevivente."-James Caan, soberbo num dos filmes mais subestimados dos últimos tempos.
Mas eu não era um sobrevivente, eu era só um cara que se ateu as coisas que lhe davam tesão na hora certa e naquela hora, parecia certo voltar aos tablados.Essa coisa é chamada de superfilosofia de acordo com o filme "Gênio indomável" e se você assistir verá que necessariamente não é uma coisa boa, mas é o que tenho...
Às vezes a carcaça etílica confundia os movimentos, retardava os reflexos de manhã e bêbado ou com ressaca um boxer não luta bem, mas eu não estava só no ring (algumas vezes pensei que estava e isso é estúpido) e não me importava certas coisas como se eu era o único bebendo a minha cerveja sozinho nos botecos da vida ou escrevendo no meu caderninho "melinda e melinda" poesias estúpidas ora para mim, ora para pessoas que nunca verão essas letras; eu constatava e não podia se fazer muito sobre isso, me sentia durão e isso calejava a minha carne pra porrada e pensava que poucos fazem isso hoje em dia, era o meu treinamento.Há exatos seis anos atrás era assim e apesar de ter sido um período duro, aprendi a dar uns jabzinhos tortos nessas madrugadas.Fácil é ter companhia todas as horas da sua vida e se sentir durão e invencível quando te dizem que você é.Difícil é não ter ninguém todas as horas, viver no buraco escuro dos bares e do seu quarto com pensamentos, com palavras moendo a sua cabeça, com palavras cortantes num teco de papel, quebrar a mão e precisar do boxe e ainda ter um motivo pra levar porrada na cara; pega uma senha e entra na fila se puder, bonitão, mas eu te aviso que aqui o bagulho é mais embaixo, a luta é pesada, falô:nem comece se não aguenta.
-Agora, Belmont, a luta tá perto, né?!Eu vejo você com essa expressão esquisita e não me vem de novo com aquela frase da Clarice Lispector!
Não, não venho não, cara.Só gosto da frase e não sou nenhum dos três.
Ah, lembre-se dele: o velho lutador com o trevo irlandês na camisa e de boina preta quando ele estiver no ring, ele ouviu "street fighting man" dos Stones no caminho para a luta e cantarolou o refrão com um sorriso torto na boca, tomou um café da manhã moderado como todos disseram que tinha de ser, comprou uma barrinha e uma garrafinha de água, não leu o livro do Lair Ribeiro sobre como ganhar essa parada e ele nunca foi um poço de serenidade ou auto-confiança, ele tem medo, ele era só um lutador que se agarrou à única coisa que só dependia dele para manter a pouca sanidade que restava e do quanto poderia bater e levantar a guarda na hora certa.
Eu não sei de mais nada .
"Eu deveria me espelhar em Micky"-eu penso, penso, mas não sei se possuo essa aura dele ou do velho Cinderella Man, caralho, eles eram fortes pra caralho...
Você ouve conselhos e sonhos sobre o dia da luta, as pessoas depositam a confiança em você e por um certo momento você passa pelo "complexo de super-herói-atormentado eles depositaram a confiança em mim, OH", mas eles se somam aos vários coadjuvantes dessa cidadezinha cenográfica e todos eles tem o seu rosto estúpido, Belmont.
Merda.Eu tenho medo.Tenho mesmo, homem não tem medo e não chora o caralho, maluco.
Merda.Eu tenho raiva.Tenho mesmo, como o Velho Hurricane que poderia ser o Campeão do mundo, ele era foda .Canta, Dylan, canta.
A todos os boxers do mundo, os de rua, os de academia de fundo de quintal, aos que lutam na academia embaixo do Viaduto do Café no Bixiga, aos fudidos miseráveis que encontram forças para brigar por coisas intangíveis, aos que roubam rosas para dar a quem se ama e que brigam por amores em seus corações vagabundos, aos que morrem de fome nas ruas e são os homens de bem desse mundo como diria Chinaski que brigou em "Barfly" com aquele barman idiota("He symbolizes everything that disgusts me. Obviousness. Unoriginal macho energy. Ladies man..." ), a todos vocês meus irmãos, pois não há lugar para nós, os lutadores de rua quando a cidade dorme.
Eu vou pra porrada em breve e nem vai passar na HBO.Nem quero.Foda-se.
Lembre-se dele, só isso .
"Mickyyyyyyyyyyyyy!!"

"roll the dice"

if you’re going to try, go all the
way.
otherwise, don’t even start.

if you’re going to try, go all the
way.
this could mean losing girlfriends,
wives, relatives, jobs and
maybe your mind.

go all the way.
it could mean not eating for 3 or 4 days.
it could mean freezing on a
park bench.
it could mean jail,
it could mean derision,
mockery,
isolation.
isolation is the gift,
all the others are a test of your
endurance, of
how much you really want to
do it.
and you’ll do it
despite rejection and the worst odds
and it will be better than
anything else you can imagine.

if you’re going to try,
go all the way.
there is no other feeling like
that.
you will be alone with the gods
and the nights will flame with
fire.

do it, do it, do it.
do it.

all the way
all the way.

you will ride life straight to
perfect laughter, its the only good fight
there is.

Charles Bukowski

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

i made a mistake.

I reached up into the top of the closet
and took out a pair of blue panties
and showed them to her and
asked "are these yours?"

and she looked and said,
"no, those belong to a dog."

she left after that and I haven't seen
her since. she's not at her place.
I keep going there, leaving notes stuck
into the door. I go back and the notes
are still there. I take the Maltese cross
cut it down from my car mirror, tie it
to her doorknob with a shoelace, leave
a book of poems.
when I go back the next night everything
is still there.

I keep searching the streets for that
blood-wine battleship she drives
with a weak battery, and the doors
hanging from broken hinges.

I drive around the streets
an inch away from weeping,
ashamed of my sentimentality and
possible love.

a confused old man driving in the rain
wondering where the good luck
went.

CHARLES BUKOWSKI