segunda-feira, 10 de março de 2008

em face dos últimos acontecimentos


Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
que o nosso avô português?

Oh! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.

A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados,
que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso ao teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 7 de março de 2008

be kind

esse é o véio buk com seus 50 e poucos anos se divertindo no seu apê...


we are always asked
to understand the other person's
viewpoint
no matter how
out-dated
foolish or
obnoxious.

one is asked
to view
their total error
their life-waste
with
kindliness,
especially if they are
aged.

but age is the total of
our doing.
they have aged
badly
because they have
lived
out of focus,
they have refused to
see.

not their fault?

whose fault?
mine?

I am asked to hide
my viewpoint
from them
for fear of their
fear.

age is no crime

but the shame
of a deliberately
wasted
life

among so many
deliberately
wasted
lives

is.

Charles Bukowski

sábado, 1 de março de 2008

cuidado com o cachorro bravo.

E veio o fim de semana aqui nesse lugar .
E as casas ,prédios,edifícios vazios e as ruas vazias com os tumbleweeds que eu adorava rolando pela calçada que nem filme velho de faroeste foram tomadas pelos habitantes de Gotham num átimo.
Mas aqui não é Gotham .Esse lugar se chama Praia Grande e em quase um ano mudou muito: dá pra se sentir meio Scarface por esses lados com suas palmeiras tremulando pela avenida que brotaram (prefeito lunático que quer tornar essa cidade a Miami do Terceiro Mundo) e o sentimento brega-80´s-thrash-crime-decadência se acentua com os que vem da cidade grande povoar esse mundo com grana ,trepadas mal dadas e crack;e devo dizer que ela fica interessante desse jeito.A cerveja aumenta em todos os lugares ,e deve se fazer um estoque com bebida de supermercado na geladeira.
As coisas estavam complicadas já há um bom tempo.De Doritos ,você tem que procurar preços menores ;então do Doritos você passa pro Yokitos presunto e do Yokitos pro Fofura,do Nissin Lamen pro miojo do Tom e Jerry que você pega numa cesta de promoção e que vence daqui a dois dias .E assim vai ...
Foda-se.Tô ótimo.
Cerveja,vinho e vodka no começo .Depois só cerveja Sol de 0,79 cents num supermercado perto do Forte .
E esse seria o meu fim-de-semana.Saindo com o ùltimo Latão de Skol na mão e uma Sol enfiada no bolso de bermudão-90`s e camisa do Social Distortion .
Quase um local...
A medida que acabava ,eu voltava e fazia outra viagem .
Era meia noite e tava perfeito para sair .
E lá fui eu a andar pela calçada da praia .Miami era um lugar interessante de noite.O sentimento na minha cabeça era amargo e de uma terrível tranquilidade ,essa a de estar sozinho num lugar que não te conhece.Mas ,aos poucos fui vendo que aquele lugar era mais íntimo meu do que parecia e seus flashbacks e imagens gloriosas se formavam em todos os lugares que avistava, a areia que a brisa do mar levantava e enchia minha meia grunge ...
Cabeça longe e ao mesmo tempo a menos de metros dessas lembranças.Suspiro.Bebo a cerveja.E as pessoas vão passando por mim e buscando algo.
Nos quiosques ,que durante a semana não se toca muita coisa a não ser a FM preferida do dono ,no fim de semana o Cd da Ivete Sangalo é tocado insistentemente :e lá você imagina aquela tesuda-coxuda cantando a sua música merda e broxante(o que é um contraste,né?!) pulando e gritando aqueles gritos bem mecânicos de shows ao vivo "Sai do chão!!", e eu "amo vocês!!".
E os quiosques se enchem.Melhor assim.O povo precisa viver nessa relação de ódio e amor com Gotham.E as calçadas precisam ficar mais vazias para se andar com gosto de algo na boca.
Um som ecoava num deles.Uma guitarra inconfundível.E vinha dum quiosque perto .Bob Marley e nada mais ,nada menos que a minha música preferida do rastafari :Buffalo Soldier.
Nossa ,como era bom ouvir algo bom e que eu gostava depois de horas e horas enchendo a cara com a trilha sonora do inferno por essa noite maldita e divertida .
E eu ,eu cantarolava a letra na calçada com as palmeiras e flutuava nos céus como Charlie Brown fez quando dançou com a garotinha ruiva e nem se lembrou.

" I'm just a Buffalo Soldier in the heart of America,
Stolen from Africa, brought to America,
Said he was fighting on arrival, fighting for survival;
Said he was a Buffalo Soldier win the war for America"

Eu cantarolo e falo sozinho que nem xarope .Sabe aqueles retardados que ficam mexendo os lábios na multidão fazendo guitarrinha na empolgação??Pois é.Quando era pequeno ,uma tia filha-da-puta veio dizer para a minha mãe que eu poderia estar com "distúrbios".
E quando o meu olhar e o som se coincidiram em harmonia ,uma garota que bebia com uma amiga no quiosque ,cantarolava a canção e naqueles momentos clichês de filme teen-sessão-da-tarde ,desviou o seu olhar em câmera lenta com os lábios no "yoy ,yoy yoy" de Bob Marley.As letras e olhares se cruzaram.E ela era linda ,com o seu cabelo preto preso numa piranha com uma blusa branca e saia verde-escuro que balançava com o vento.
Eu passei olhando,desviei por um momento o olhar e despejei cerveja Sol na goela.Uma cerveja na goela,um momento bom :a vida é feita de troços assim .
E lá fui eu andar .Claro que ia voltar .
Não ,não podia beber no quiosque ,só se fosse tomar uma água de torneira pelas condições.Voltaria pro apartamento ,carregaria mais cervejas nas mãos e bermudas.E beberia olhando para a garota mais linda e interessante de Miami.
Voltando lá,tinha gente no calçadão e agora a noite era dos que são filhos dignos dela:tinha um travesti meio coroa fazendo ponto no banquinho ,nóia de Gotham com os olhos perdidos no mar e os bebuns de cerveja em isopor .Um bando deles me cumprimentou e eu acenei de volta .Sentei num banquinho de frente pro mar a poucos metros do quiosque e a garota.
E lá fiquei admirando ela e como isso tinha um sabor eterno...
Como as garotas na época do colégio que passavam em grupo na hora do recreio por nós :muleques sujos de camiseta Hering branca-suja e calça Adidas falsificada do Paraguai ,sentados na arquibancada mais escura onde tinha sombra, olhando a beleza e não se preocupando em tê-la,porque,caralho era bom olhar e pensar nelas!!
Inconscientemente ,(não)sabíamos que nunca teríamos essas garotas porque elas nunca nos escolhiam na dança da vassoura quando tocava Tracy Chapman cantando "Baby can i hold you"e nós ,nós éramos os que dançavam com as amigas que eram como trutas nosso de quebrada e fatalmente elas,elas eram secretamente apaixonadas por você e depois de dez anos se tornariam as mulheres mais lindas e gostosas do mundo.
A nossa vida é um maldito filme teen dos anos 80.
E lá, na festa do bairro na casa de alguém ,tocava um vynil e elas estavam com as cabeças pousadas no peito de algum cara meio atlético que tira foto fazendo Hang Loose,e nós ,os garotos sujos das arquibancadas escuras, assistíamos essas cenas com as luzes batendo na nossa cara, bebendo nossa Groselha Vitaminada Milani .E é engraçado como as mulheres apaixonadas com os seus olhos fechados e com as cabeças pousadas e entregues nos braços de algum cara da escola que a gente odeia, irônicamente se tornam as imagens mais belas e dolorosas acompanhando a groselha que falta acúcar...
-Vamos pegar mais groselha??-eu sempre dizia para eles levantando do violento espetáculo de sadomasoquismo.Pra quebrar o gelo,sabe comé quié...
E lá estava eu olhando as luzes.A amiga dela de costas óbviamente mais extrovertida, gesticulava e ela ,divertida e mais contida ,mantinha uns comentários.Elas comemoravam algo certamente e eu de uma certa maneira,entendia que aquela viagem era importante para ela.Todas as viagens são.
Eu,que me esqueci todos esses anos que não estava mais na arquibancada do colégio, encarava essa beleza sincera dela diretamente com goles de cerveja .Ela percebeu e uma hora não desviei o olhar .Ela riu ,disfarçou meio constrangida e prestou atenção na conversa da amiga .Depois olhou de novo.
Ok,eu deveria estar parecendo um psicopata bebendo as 3 da manhã com alguns nóias no banco a minha volta em busca de crack...
Um outro bando (que óbviamente eram de lá) me deram um alô com a cabeça de respeito :uma mulher loira, alta e feia com o cabelo descolorido de água oxigenada bem malfeito acompanhada de um senhor calvo e cheio de tattoo de prisão com uma pinga na mão.
Ok,agora com esse comportamento encarando a menina tô também parecendo traficante de Gotham no banquinho de praia.Andei um pouco e sentei no canteiro e fiquei olhando o mar .
Num dado momento ,vi as duas guardando algo no quiosque e foram em direção ao mar .Pude ver melhor o corpo dela:aquele corpo que não era exatamente magro e que através da blusa branca mostrava uma dobrinha na cintura sem vergonha alguma de ser mulher e aqueles peitos firmes que pareciam ser grandes e lindos quando se tira o soutien e aquele corpo que te deixa de pau duro na hora ;eis ali uma mulher linda e com uma beleza sincera ,tangível e do jeito só dela.Gosto de belezas particulares;ela não deve ser a mina da "facul" que os homens de colar de bolinha de madeira ficam falando xavecos quando passam pela pista.Ela me pareceu mais linda ainda andando na praia.
O vento balançava a saia dela .A amiga se jogou no mar .Ela ficou olhando a amiga se divertindo na beira da areia parada onde a água só molhava os pés : e a outra ,estava completamente bêbada e alegre se debatendo no mar e jogando água com as mãos para o alto .Ela ,ela olhava .A amiga saiu do mar com os braços abertos em direção a ela dizendo algo.Não ,ela gritava.Ela sorria em direção a minha garota do "yoy yoy" e eu via o sorriso daquela distância.Se abraçaram de um jeito terno ,de amizade sincera ,daquele jeito que se diz"eu tô com você para sempre".Levantava o braço.
De alguma forma ,as palavras que a amiga falava quebraram o gelo da outra mais contida e ela foi de mão dadas com a outra para as águas do mar .E ela se jogou graciosamente naquele mar lindo de madrugada ,com as ondas batendo no seu corpo.Não se sabe o que falavam ,não se sabe o que a outra disse para a minha garota ,mas ela se jogou no mar .Se entregou .Aceitou.
Enrolava o cabelo solto molhado atrás da cabeça daquele jeito gracioso que só as mulheres sabem fazer.
Eu vi aquilo do canteiro da calçada.Tirei meu chapéu e deixei o vento bater no meu cabelo que tinha acabado de cortar e percebi que fazia tempo que não ficava com o cabelo mais curto.
Quando vi,eu sorria.Por elas.Por seja lá o que elas passaram.O que será que a detinha de entrar no mar e se jogar com a outra desde o começo?Lá ,eu vi esse momento de redenção na minha frente ,dela se jogar no mar e abraçar sua amiga.Ela ,ela sorria contente jogando água com a outra no mar .
Eu balancei a cabeça sorrindo.Roubava um momento importante da vida de alguém.
Decidi que era hora de deixá-las e que iria andar mais nessa madrugada estranha.Como eu gostaria de conhecê-las ,mas não sabia como .Amanhã ,procuraria de novo elas de noite no quiosque .Pra olhar talvez...
Andei ,andei .O vento mais forte.Houve uma hora em que não haviam mais travecos,nóias ou gente ;só alguns carros que passavam em direção a lugar algum no meio da avenida de palmeiras e alguns casais trepando na areia do mar.E eu pensando na garota e em como ela ficava linda com os cabelos soltos molhados pelo mar daquela distância.
Voltando do Forte pra casa ,vi um grupo de cinco caras brotar na minha direção e essa situação é tão rápida e desprovida de alternativas que você caminha pro seu próprio destino se for esperto e não demonstrar nada.Talvez não sintam cheiro de sangue.
-Ò,o naipe desse aí ,ó.-risadas
Fudeu .Uns três metros antes de passar já soltam essa .Caras meio grandes .Tattoos tribais mais batidas que catálogo de tatuador da República."Vô tomar um pau sarado e nem tô preocupado."-pensei na hora.
-Cê é roqueiro ?-um grita
Eu nem viro,mas é inútil e já sei o que vem em seguida .Caralho,tô trançando as pernas.E eu não sou esse caso miraculoso de bêbado que bebe e vira diabo.Eis aí a qualidade da cachaça , da vodka e da cocaína te colocar o inferno na tua cabeça.
-Ô,tô falando contigo .
Tomei uma voadora nas costas.Bati com a cara no chão legal.Um monte de risadas.
Eu me levanto :tá difícíl de pensar ,mas o chute dessa moça só machucou por que eu caí de cara num calombo da calçada que o prefeito mandou fazer.Devia reclamar pro prefeito que em Miami não tem isso.A cabeça girava.A menina dançando no mar me lembrou uma garota muito mais linda e maravilhosa que jogaram uma vez na piscina numa festa e eu fiquei puto,mas Deus ,como ela ficava linda daquele jeito com os cabelos molhados .E lá eu caminhando torto,levando porrada e pensando nisso...
Deixo que se fosse só isso que essas cinco moças tem para oferecer ,tá bom.
Atravesso a rua meio torto e eles me seguem bem "horrorshow".Chego do outro lado da rua.Passo a calçada ,quase tropeço .Viro.
Um soco no peito.Esse até que deu pra sentir ,deu uma ardida e talz.Mas esses merdas não batem bem.Eu me desequilibro e caio num degrauzinho .Bato a costela bem no meio da quina do degrau e a boca em outro acima.Dois degraus feitos milimétricamente por um puto dum arquiteto desse futuro prédio para fuder um dia futuramente com a vida do velho Belmont.
Sangue na boca.Cuspo.
Ah,foda-se.
Dou uma cuspida.Sento no degrau resfolegando.Digo meio sorrindo, tipo herói de anime clichê .Falo de algo que tinha acontecido ,só que sem os socos e sangue .Era igualzinho ,da época de garoto sujo de arquibancada.
-Ô ,seus boy filhos-da-puta se vocês vierem mais uma vez pra cima de mim ,vão ter que matar tá ligado?Vão estragar sua vida .Tem que me matar .
Risada de hiena.Todos.
"Alá!!Hahaha!!"
-Porque eu vou morrer aqui nessa briga e vocês vão me dar um pau do cacete ,mas eu vou pegar um e não largo mais :vou agarrar um pra Cristo ,catar a cara e enfiar todos os meus dedos no olho do filho-da-puta até arrancar pelo menos um .Morder orelha e arrancar fora.Não é difícil mesmo.
Um demônio falava de verdade dentro de mim.Era verdade ,a gente sabe quando chega a hora e faz que nem o Kitano em "Brother" :larga o dinheiro no balcão e sai pra derrubar na bala pelo menos um.
Um só riu .Eu disse diferente daquela época.
-Ih ,deixa esse bosta .
-É ,não dá nem pro cheiro.
-Falô ,rockeirinho de merda.
Dei uma risada ,fechando os olhos e balançando a cabeça.
Que bando de cusão do caralho.Se roubassem meu boné vermelho do NY tavam mortos e cegos.
Sentado no fim do degrau e numa parte plana ,um cachorro feio e mulambento com cara de poucos amigos me olhava da escuridão.
Me lembrei dele quando andava pela praia essas tardes e achava engraçado o jeito torto que escreveram numa parede de construção do prédio "cuidado com o cachorro bravo":era um cachorro até pequeno mas que intimidava pela sua postura e os caras da obra deviam cuidar dele por alguma razão.Para ninguém entrar e zoar a obra.O cachorro era cinza ,com os pelos todos grudados numa sujeira só .Uma barbinha branca toda desgrenhada e dentes bem respeitosos.Me olhava sério para proteger o território.
E lá estava aquele cachorro me olhando.Além de tomar um pau ,levaria umas mordidas e pegaria raiva de um sabujo bem vagabundão e simpático.
Forcei os olhos e vi que ele me olhava ,mas balançava o rabinho...
Eu assobiei
"Fiu...".
Assobiei?Foi ,assim mesmo.
E lá veio ele em minha direção todo bobão .Passei a mão na sua cabeça meio assustado e ele se apoiou nas duas patas e me lambia todo .Eu ria ,ria como uma criança.
-Voxê é uma fera né,rapaz!Nè ,cachorrão bravo!-dizia fazendo aquela voz infantil que dono de cachorro faz .
Nossa ,ele fedia muito.Mas era meu amigo.
Fui andando meio torto pra casa e ele me acompanhou até a esquina da construção.Parou e ficou balançando o rabinho me olhando.
Fiz um gesto.
-Vai Guerreiro,volta pro seu castelo,vai.Eu é que me curvo para você.-disse que nem Aragorn.
Fiz uma reverência e baixei a cabeça.
Ele latiu .Ficou me olhando.
Atravessei a rua com a mão na costela.Ele voltou depois de pensar muito em direção a construção, meio que em dúvida.
Coloquei as mãos no bolso .Nem roubaram meus dois reais!Tinha um quiosque com o som de um radinho e um cara empilhando umas cadeiras.
-Ô tio,me vende uma cerveja por favor !
Ele me olhou.Se aproximou.
-Cê tá bem ,filho?Que que foi isso??
-Ah,isso?-passei a mão na boca .Filetezinho de sangue.
-È,e na testa também.
Tinha um cortinho daqueles bem gostoso de passar a mão :uns risquinhos meio sangrentos na horizontal meio tortos que ficariam umas casquinhas bem fininhas e gostosas de arrancar na insistência.
-Num foi nada não,Tio.
Sò a costela me doía.Arquiteto puto do caralho .
Conversei um pouco com ele e expliquei.Balançava a cabeça em reprovação tipo a minha mãe.Ele me vendeu uma latinha .Agradeci para caralho que nem bêbado agradece para constranger.
-È seu?-apontava atrás de mim.
-O que ???
E lá estava meu amigo me olhando do meio da rua .Meio curioso.Balançava o rabo meio lento
Passei a latinha gelada na boca sangrando e na testa como os heróis do Domingo Maior faziam de um jeito canastrão.
"Fiuuuu!!!"
E lá veio ele em minha direção correndo.Foi andando do meu lado na calçada.
Eu ,bêbado e um pouco meio dolorido com o Guerreiro me protegendo.Lado a lado.Deve ter sido uma cena engraçada.
Logo ,em meia hora ia amanhecer e eu não queria ver esse dia acabar com a luz.As garotas não estavam lá mais.Me despedi com pesar do Guerreiro.Ele me viu subir os degraus do prédio e depois foi embora.
-Valeu ,amigo.
O porteiro morrendo de sono ,mumunhou algo pensando que era com ele.
"Não ,meu amigo eu falava com o cachorro ,viu!!?"
Hehe...
Na noite seguinte ,sentei lá procurando elas com aquela cara fudida e um cortinho dentro do lábio por dentro que eu ficava passando a língua a toda hora.Sentei no canteiro de novo e nem me preocupei com os boys de merda naquela noite:já tomei porrada de skin ,de polícia e mais um monte de gente e aqueles boys covardes e cusões eram os piores do meu currículo .O impressionante é que pensando agora ,sem exagero nenhum digo que foi insignificante.Ninguém percebeu .
Nunca mais as vi naquelas noites que fiquei sozinho lá até uns dias atrás.
Nunca esquecerei o momento que roubei delas.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

saudosismo.

"I'll have to send you a love letter! Straight from my heart, fucker! You know what a love letter is? It's a bullet from a fucking gun, fucker! You receive a love letter from me, and you're fucked forever! You understand, fuck? I'll send you straight to hell, fucker!... In dreams... I walk with you. In dreams... I talk to you. In dreams, you're mine... all the time. Forever. -blue velvet(1986)

O revólver tá guardado
numa caixa de ferro de bolachas dos anos 50
as balas
estão na minha caixa de cartas de amor em cima do armário
Se eu precisasse dar um tiro em alguém
seja num bicho raivoso
seja na pia
seja na tv como Elvis fazia
seja na minha coleção de girafinhas de vidro
Eu teria que me sentir saudoso uma dessas noites
Muito.Exageradamente.
Só isso.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

fome.

"Gasping - but somehow still alive
This is the fierce last stand of all I am

Gasping - dying - but somehow still alive
This is the final stand of all I am

Please keep me in mind"-well i wonder,the smiths

Um pastel
um miojo
muita cerveja de supermercado sem gelo
obsessão com jogos,crimes e golpes
e todas as noites pensando em ti ,
eu vivo com pouco,
quase não como,
e tenho a energia dos pactos diabólicos com vodka
"não sei como"-digo vendo os olhos vermelhos...
mas tenho e flano muito.
Se eu ficasse sem tudo isso
ainda teria a lembrança
da sua risada ecoando pelos quartos
do cheiro dos seus cabelos me entorpecendo
das tuas pernas
da tua buceta
e dos beijos que dava na sua boca em seguida
e pra falar a verdade ,
isso seria o bastante
mas, também seria a minha ruína .
Tenho fome do que não se completa.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

presente de ex-namorada.

-Belmont?Cê é francês?
-Ahn?
-Français?
-Ah...é uma história interessante ,meio comprida e (tchuc!)...
-Eu não tenho tempo ,francês sujo.
Silêncio.
-Cara,se eu não tivesse acabado de sair de cana eu enfiava essa porra dessa faca no seu bucho ,seu filho da puta xenófobo do caralho!
Isso foi dito com um fogo do inferno no olhar pela minha parte,frio e sem levantar a voz nem nada.Quando vi,já tinha falado .
Ele me olha assustado .
-Cê senta do meu lado e me fala um troço desses,che cazzo!?
O tiozinho olha para baixo e dá aquele olhar pra dentro do copo americano.
-Eu não queria beber sozinho...Minha mulher me largou semana passada...
Eu olhei para ele .Com o diabo no olhar ,olhei bem para ele .Nem todo o diabo te olha com maldade.Ele me olhou pelo canto do olho, com a barba branca molhada de cerveja.
Eu respirei fundo.
-Um homem precisa aprender a beber sozinho.
Ele deu uma balançadinha tímida de cabeça olhando as labaredas tremulando.Fez um sinal com a cabeça se despedindo e o gesto de bebum levantando o copo em minha direção dando um "tintin" .Foi prum canto lá no fundo do lado do banheiro e bebeu como se deve.
Na saída ,cambaleando e indo pro banheiro eu disse para ele:
-Eu esfaqueei um bosta que cuspiu na rua quando eu tava passando ,pegou em mim.O cara ,um desses armários que não tem nem pescoço ,riu ,como se eu não fosse nada e disse "Que é?" e foi pra cima,e eu meti meu canivete suiço no pescoço dele que ganhei de uma ex-namorada de presente de um ano de namoro.Ela me dizia que um dia ia ser útil...
Ele levantou os olhos.
-E foi ,né?-disse meio triste e bêbado como se devia estar,fechando os olhos quando fala.
Balancei a cabeça sorrindo meio esquisito.
-Se cuida,tio.
Levantou o copo.
Eu ia dizer a ele que era mentira essa história de cana e facas,mas eu aprendi isso com o Pedrão.
Da longínqua época em que se jogava Doom em telões (sem comentários ,né?!Counter Strike era ficção) no antigo Studio 3d .Estávamos um dia conversando após a jogatina e um desses protofascistinhas de merda ,disse aquela pérola que todo mundo ouve mais cedo ou mais tarde um dia na vida e essa pessoa tem a sua idade;sabe o famoso "tinha que voltar os tempos da ditadura" ?
Pedrão ,deu o seu famoso trago .Olhou para cima ,fechou os olhos e disse com o diabo no olhar:calmo e frio:
-È.Minha mãe foi espancada com metralhadora e teve que tirar um ovário .Nessa época.
Soltou a fumaça.Que clima se abateu na mesa.Olhares de canto .O cara pediu desculpas ,deu um tapa nas costas do Pedro .Não disse mais merda.
Na saída ,eu,um imbecil que nem sabia o que significava essa história de ovário,perguntei pro Pedro sobre essa história ,se era verdade e ele :
-NÃO!!
Rachamos o bico de um jeito ridículo,todos nós:de doer a barriga ,de estar num busão e só de lembrar dar aquele ataque só de lembrar da situação.Eu tenho esses ataques ás vezes e adoro essa história.
E lá tava o velho bebendo no seu canto .
Aprendendo a beber.
Eu só ensinei um truque a ele .
Ele ,poderia me ensinar milhões .

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

assim nascem os piratas-part one

Lá na Praça Pôr do Sol tinha um lugar que eu gostava de ficar:era uma espécie de varanda como aquelas de prédio,só que feita de madeira e destruída pelos anos ;era um amontoado de destroços em que só se dava para apoiar os pés em sua estrutura e colocar os ombros para segurar a sua cabeça parada enquanto ao fundo lá estava o sol hipnótico indo embora atrás de um céu cinza.Não sei se foi uma varanda ou um observatório um dia.Não sei .O que me atraía era que essa varanda se tornara atraente por ser incompleta e ao mesmo tempo tão aconchegante.
Poucas vezes senti isso: as coisas que me agarraram na vida eram como essa varanda velha e carcomida pelo tempo e eu pensava nisso enquanto apoiava a minha cabeça como Charlie Brown e Linus faziam no desenho e via um monte de gente deitada fazendo o mesmo sem ter a estrutura fudida .
E aquele sol vermelho-sangue e laranja ia embora tremulando como o fogo do inferno ,deixando a noite para deitarmos num travesseiro e pensar em tudo que nos aflige e tentamos alcançar.
Suspirávamos com alívio:
"a noite chegou"
A molecada na rua brincando de polícia e ladrão valendo os prédios do BNH,jogando bola na rua com gol de tijolos,esconde-esconde ou simplesmente conversando sobre um monte de coisas que não conhecíamos .Histórias de terror ,fantasmas ,exus .As garotas da escola ,o cheiro do shampoo de maçã que exalava dos cabelos dela .
O tempo passou.
Lá estava a varanda :inalterada ,velha e forte .
Andando de noite com a minha cachorra que insistia em me puxar e me levava para passear todas as noites como se a necessidade de sair fosse mais minha do que dela :ela me levava para as ruas para sentir um cheiro diferente a cada farejada que dávamos .
Cheiro de damas-da-noite que se abriam com o nosso passeio.
Avistei o velho telefone laranja em que eu ligava para a minha primeira amada sem ficha só para ouvir os 2 segundos de xingamentos cortados da voz dela ou dos pais enfurecidos.Ele era amarelo agora ,brilhante e sem nenhum atrativo .Eu fazia aquilo sempre só pra ouvir a voz dela.
Eu pensava nisso quando uma nuvem negra e dolorosa veio na minha vida.
Pensei na varanda e queria estar lá naquele momento .

Sei que doeu pra caralho.
Larguei a guia e nos milésimos de segundos que separavam a minha queda até o concreto ,pensei que a Lady ia fugir para a rua .Seriam duas merdas de névoas e nuvens negras numa mesma tacada .
Tudo escuro.
Um carro parou ,e eu gritei pra caralho :não vejo o porque de me deter nesses detalhes que são tão confusos
Uma porta abriu .
-O que foi isso ?-gritei para o ser humano que me segurava pelos braços e tentava me levantar.
-Tem uma garrafa ...
-Fala logo !
-A acho ...que jogarama uma garrafa em você ,tem 3 cacos ....
A garota que tinha uma voz muito curiosa ,rouca e sexy como a mulher do aeroporto que se via em filmes ;eu não sei se era ela mesmo pois nunca tinha ido num aeroporto na minha vida .
-Cadê a minha cachorra?-disse desesperado.
-Ela tá aqui ,fica tranquilo ,tá chorando não escuta ?Ela tá bem...
Eu não escutava .
Alcancei a cabeça dela e a afaguei nas suas orelhas macias como o céu .
Daí eu abri os olhos e foi mais ou menos quando alguém te pega naquela naquela brincadeira chata :algum moleque/garota diz "adivinha quem é?"e abre lentamente a sua visão tirando as mãos .E nunca se sabe quem é ,pois eu nunca acertei.
Para mim foi como se tirassem só a mão direita.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

nothing will die

When will the stream be aweary of flowing
Under my eye?
When will the wind be aweary of blowing
Over the sky?
When will the clouds be aweary of fleeting?
When will the heart be aweary of beating?
And nature die?
Never, oh! never, nothing will die;

The stream flows,
The wind blows,
The cloud fleets,
The heart beats,
Nothing will die.

Nothing will die;
All things will change
Thro’ eternity.
‘Tis the world’s winter;
Autumn and summer
Are gone long ago;
Earth is dry to the centre,
But spring, a new comer,
A spring rich and strange,
Shall make the winds blow
Round and round,
Thro’ and thro’,
Here and there,
Till the air
And the ground
Shall be fill’d with life anew.

The world was never made;
It will change, but it will not fade.
So let the wind range;
For even and morn
Ever will be
Thro’ eternity.
Nothing was born;
Nothing will die;
All things will change.

Alfred Lord Tennyson

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

all things will die

CLEARLY the blue river chimes in its flowing
Under my eye;
Warmly and broadly the south winds are blowing
Over the sky.
One after another the white clouds are fleeting;
Every heart this May morning in joyance is beating
Full merrily;
Yet all things must die.
The stream will cease to flow;
The wind will cease to blow;
The clouds will cease to fleet;
The heart will cease to beat;
For all things must die.
All things must die.
Spring will come never more.
Oh! vanity!
Death waits at the door.
See! our friends are all forsaking
The wine and the merrymaking.
We are call’d—we must go.
Laid low, very low,
In the dark we must lie.
The merry glees are still;
The voice of the bird
Shall no more be heard,
Nor the wind on the hill.
Oh! misery!
Hark! death is calling
While I speak to ye,
The jaw is falling,
The red cheek paling,
The strong limbs failing;
Ice with the warm blood mixing;
The eyeballs fixing.
Nine times goes the passing bell:
Ye merry souls, farewell.
The old earth
Had a birth,
As all men know,
Long ago.
And the old earth must die.
So let the warm winds range,
And the blue wave beat the shore;
For even and morn
Ye will never see
Thro’ eternity.
All things were born.
Ye will come never more,
For all things must die.

Alfred Lord Tennyson.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

one,two,three,four!!!

Olá,meu nome é Jeffrey Hyman.
Eu nasci no Queens.
A minha banda se chama Ramones.
E isso é tudo o que vocês precisam saber .
Não se preocupem comigo.Mesmo.
Ah!Belmont ,não chore mais por mim e Dee Dee:
todos os dias eu e ele mandamos o Johnny ir a merda e saimos correndo cantando a sua preferida.]
Corremos como as crianças costumam correr pelos pátios...