sexta-feira, 16 de novembro de 2007

rolem os dados enquanto a cidade dorme .

Era a mesma coisa todos os dias de manhã: quando estava em frente ao portão de casa após fechá-lo com cuidado e (devido ao TOC) bater no portão e certificar umas dez vezes que ele estava fechado, eu escolhia a mesma música no mp3 operando essa máquininha que eu adoro com apenas dois dedos e indo para a pasta do Dropkick Murphys.Escolhendo a música sobre Micky.
"Alguma coisa de boxeador tinha que existir na minha alma", deveria me espelhar em Micky-eu pensava descendo a Raposo engolindo fumaça preta dos caminhões e correndo para não perder a primeira aula: aquilo foi uma luta diária e mesmo sabendo que eu poderia tomar um gancho e não acordar nunca mais pra estar no ring, eu ingênuamente confiava no meu boxe amador das ruas de Gotham e achava que mesmo sendo um veterano como outro velho irlandês chamado Jim Braddock, tinha um último truque a mostrar no ring.
Nada demais: se você vai, vai até o fim, maluco e aguente o tranco.
Don´t even start.
"A única coisa que você pode concluir sobre um velho é que ele é um sobrevivente."-James Caan, soberbo num dos filmes mais subestimados dos últimos tempos.
Mas eu não era um sobrevivente, eu era só um cara que se ateu as coisas que lhe davam tesão na hora certa e naquela hora, parecia certo voltar aos tablados.Essa coisa é chamada de superfilosofia de acordo com o filme "Gênio indomável" e se você assistir verá que necessariamente não é uma coisa boa, mas é o que tenho...
Às vezes a carcaça etílica confundia os movimentos, retardava os reflexos de manhã e bêbado ou com ressaca um boxer não luta bem, mas eu não estava só no ring (algumas vezes pensei que estava e isso é estúpido) e não me importava certas coisas como se eu era o único bebendo a minha cerveja sozinho nos botecos da vida ou escrevendo no meu caderninho "melinda e melinda" poesias estúpidas ora para mim, ora para pessoas que nunca verão essas letras; eu constatava e não podia se fazer muito sobre isso, me sentia durão e isso calejava a minha carne pra porrada e pensava que poucos fazem isso hoje em dia, era o meu treinamento.Há exatos seis anos atrás era assim e apesar de ter sido um período duro, aprendi a dar uns jabzinhos tortos nessas madrugadas.Fácil é ter companhia todas as horas da sua vida e se sentir durão e invencível quando te dizem que você é.Difícil é não ter ninguém todas as horas, viver no buraco escuro dos bares e do seu quarto com pensamentos, com palavras moendo a sua cabeça, com palavras cortantes num teco de papel, quebrar a mão e precisar do boxe e ainda ter um motivo pra levar porrada na cara; pega uma senha e entra na fila se puder, bonitão, mas eu te aviso que aqui o bagulho é mais embaixo, a luta é pesada, falô:nem comece se não aguenta.
-Agora, Belmont, a luta tá perto, né?!Eu vejo você com essa expressão esquisita e não me vem de novo com aquela frase da Clarice Lispector!
Não, não venho não, cara.Só gosto da frase e não sou nenhum dos três.
Ah, lembre-se dele: o velho lutador com o trevo irlandês na camisa e de boina preta quando ele estiver no ring, ele ouviu "street fighting man" dos Stones no caminho para a luta e cantarolou o refrão com um sorriso torto na boca, tomou um café da manhã moderado como todos disseram que tinha de ser, comprou uma barrinha e uma garrafinha de água, não leu o livro do Lair Ribeiro sobre como ganhar essa parada e ele nunca foi um poço de serenidade ou auto-confiança, ele tem medo, ele era só um lutador que se agarrou à única coisa que só dependia dele para manter a pouca sanidade que restava e do quanto poderia bater e levantar a guarda na hora certa.
Eu não sei de mais nada .
"Eu deveria me espelhar em Micky"-eu penso, penso, mas não sei se possuo essa aura dele ou do velho Cinderella Man, caralho, eles eram fortes pra caralho...
Você ouve conselhos e sonhos sobre o dia da luta, as pessoas depositam a confiança em você e por um certo momento você passa pelo "complexo de super-herói-atormentado eles depositaram a confiança em mim, OH", mas eles se somam aos vários coadjuvantes dessa cidadezinha cenográfica e todos eles tem o seu rosto estúpido, Belmont.
Merda.Eu tenho medo.Tenho mesmo, homem não tem medo e não chora o caralho, maluco.
Merda.Eu tenho raiva.Tenho mesmo, como o Velho Hurricane que poderia ser o Campeão do mundo, ele era foda .Canta, Dylan, canta.
A todos os boxers do mundo, os de rua, os de academia de fundo de quintal, aos que lutam na academia embaixo do Viaduto do Café no Bixiga, aos fudidos miseráveis que encontram forças para brigar por coisas intangíveis, aos que roubam rosas para dar a quem se ama e que brigam por amores em seus corações vagabundos, aos que morrem de fome nas ruas e são os homens de bem desse mundo como diria Chinaski que brigou em "Barfly" com aquele barman idiota("He symbolizes everything that disgusts me. Obviousness. Unoriginal macho energy. Ladies man..." ), a todos vocês meus irmãos, pois não há lugar para nós, os lutadores de rua quando a cidade dorme.
Eu vou pra porrada em breve e nem vai passar na HBO.Nem quero.Foda-se.
Lembre-se dele, só isso .
"Mickyyyyyyyyyyyyy!!"

"roll the dice"

if you’re going to try, go all the
way.
otherwise, don’t even start.

if you’re going to try, go all the
way.
this could mean losing girlfriends,
wives, relatives, jobs and
maybe your mind.

go all the way.
it could mean not eating for 3 or 4 days.
it could mean freezing on a
park bench.
it could mean jail,
it could mean derision,
mockery,
isolation.
isolation is the gift,
all the others are a test of your
endurance, of
how much you really want to
do it.
and you’ll do it
despite rejection and the worst odds
and it will be better than
anything else you can imagine.

if you’re going to try,
go all the way.
there is no other feeling like
that.
you will be alone with the gods
and the nights will flame with
fire.

do it, do it, do it.
do it.

all the way
all the way.

you will ride life straight to
perfect laughter, its the only good fight
there is.

Charles Bukowski

3 comentários:

  1. Oi, achei seu blog pelo google está bem interessante gostei desse post. Gostaria de falar sobre o CresceNet. O CresceNet é um provedor de internet discada que remunera seus usuários pelo tempo conectado. Exatamente isso que você leu, estão pagando para você conectar. O provedor paga 20 centavos por hora de conexão discada com ligação local para mais de 2100 cidades do Brasil. O CresceNet tem um acelerador de conexão, que deixa sua conexão até 10 vezes mais rápida. Quem utiliza banda larga pode lucrar também, basta se cadastrar no CresceNet e quando for dormir conectar por discada, é possível pagar a ADSL só com o dinheiro da discada. Nos horários de minuto único o gasto com telefone é mínimo e a remuneração do CresceNet generosa. Se você quiser linkar o Cresce.Net(www.provedorcrescenet.com) no seu blog eu ficaria agradecido, até mais e sucesso. If is possible add the CresceNet(www.provedorcrescenet.com) in your blogroll, I thank. Good bye friend.

    ResponderExcluir
  2. Hehehe...
    Adorei essa parte:"achei seu blog pelo google está bem interessante gostei desse post."
    Nossa o telemarketing dos blogs!Isso é o fim dos tempos ,talvez seja um sinal para parar com essa coisa de blog ...
    Cara Crescenet :
    muito obrigado pelo interesse no meu blog ,mas eu já ganho mal sem precisar ficar gastando energia elétrica .Muito agradecido .

    Te falar ,viu...

    ResponderExcluir
  3. Bom então eu é que vou te dizer uma coisa :uma boa prova meu irmãozinho querido.Nada de boa sorte,viu!?!Boa prova mesmo.
    Faça a pergunta pra você e se for sim então não tem o que se arrepender.Seja forte na luta e dê porrada no seu estilo ouvindo esse stones no caminho.
    um beijo e um queijo,belmont.

    ResponderExcluir